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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Sobral Cid

É bom regressar à Sobral Cid*, aka Cinema Olympia e Agência de Viagens Abreu. Passei o testemunho do estado tésico. O Paco (na foto, a fingir que trabalha) é o senhor que se segue, depois a Filipa e os restantes amiguinhos sobralcidianos: Carina, Cris, Célia e Sandrinha. A ordem tésica não será necessariamente esta. O nome da sala é mais do que apropriado e homenageia a fauna que a ocupa. Na dúvida, experimentem conhecer qualquer um dos exemplares da espécie Homo sapiens sobralcidianus!
(a famosa sala Sobral Cid)
*amadrinhada pela sobralcidiana Cris.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Exposição virtual sobre paleopatologia

O Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra acolheu, entre 24 de Fevereiro e 1 de Março de 2003, uma exposição intitulada "Paleopatologia: o estudo da doença no passado" - integrada na V Semana da Mostra Cultural da Universidade de Coimbra. Quem quiser pode (re)vê-la na versão virtual alojada no sítio do Ministério da Saúde Brasileiro (aqui). A iniciativa original ficou a cargo da Casa de Oswaldo Cruz e da Escola Nacional de Saúde Pública (Departamento de endemias Samuel Pessoa)/FIOCRUZ.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Em estado tésico XI - O fim

Terminou assim:

In the future I see open fields for far more important researches. [...] Much light will be thrown on the origin of man and his history. (Charles Darwin, 1859)

E a capa era para ser esta:


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Workshop sobre marcadores musculoesqueléticos de stresse

Falta um mês para o evento que reunirá, em Coimbra, os grandes especialistas mundiais em marcadores musculoesqueléticos de stresse. Programa e outras informações aqui.


Exposição paleopatológica em Barcelona

No Museu Egípcio até 30 de Junho. Quem não puder ir, pode ver aqui alguns dos casos paleopatológicos exibidos.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

O belo e a consolação (2)


Paleopatólogos enfileirados no centro de um vulcão, em Santorini, Grécia. Não me apetece explicar porquê, mas gosto muito, mesmo muito, desta fotografia - e não é por ter sido eu a tirá-la.

sábado, 1 de novembro de 2008

Opistótono: “Paleofantasia” ou paleopatologia?


Opisthotonus in a patient suffering from tetanus. Sir Charles Bell (1809)

A "paleofantasia" e a paleopatologia interceptam-se com regularidade. E desta confluência brotam interpretações indiscutivelmente criativas, embora, regra geral, pouco fundamentadas. Exemplos de hoje [literalmente] e de ontem não faltam. Mas a História (mais do que a Ciência) encarrega-se do julgamento dos paleofantasistas. Veja-se o caso do paleopatólogo Roy Lee Moodie (1880-1934), que, em 1918, relacionou a posição de fósseis de vertebrados com o opistótono – configuração adoptada pelo corpo que resulta de episódios espasmódicos dos músculos do tronco e do pescoço, devidos, por exemplo, ao tétano ou a intoxicações (ex. lítio ou estricnina). No ano seguinte, a curiosa explicação alvitrada por Moodie foi refutada na revista Science. E, no entanto, este paleopatólogo continua a figurar (na minha opinião com toda a legitimidade) nos textos sobre a história da paleopatologia.



Mais informação:

Balter, M. (2008) AAAS Annual Meeting: how human intelligence evolved - is it science or 'Paleofantasy'? Science, 319(5866):1028.

Dean, B. (1919) Dr. Moodie's Opisthotonus. Science, 49(1267):357.

Moodie, R.L. (1918) Studies in paleopathology. III. Opisthotonus and allied phenomena among fossil vertebrates. The American Naturalist, 52(620/621): 384-394.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Paleopatologia esclarece dúvida escatológica relativa às Cruzadas

Tripas revoltas à moda de ELISA: eis a receita paleopatológica proposta por Piers Mitchell do Imperial College of London. A equipa deste historiador da medicina e paleopatólogo seguiu a pista encontrada nas crónicas coevas das Cruzadas – que aludem a constantes surtos disentéricos – e recorreu a um ingrediente singular: amostras de solo colhidas nas latrinas dum hospital medieval pertencente à Ordem dos Hospitalários, situado em Acre - cidade do então Reino de Jerusalém. Através do teste de ELISA identificaram a presença de dois parasitas intestinais, os protozoários Entamoeba histolytica e Giardia duodenalis, que causam diarreias violentas e outros "desconfortos" intestinais – sintomas que configuram quadros clínicos designados por amebíase e giardíase, respectivamente. Desvelou-se, assim, a causa das “horas de aperto” dos cruzados e dos peregrinos que se socorreram, no século XIII, das latrinas do hospital de São João. Para além das minudências e das novidades de ordem técnica e académica, este trabalho reforça o potencial que a paleopatologia detém enquanto aliada fundamental dos que buscam o conhecimento histórico fundamentado.

Mais informação:
Mitchell, P. et al. (2008) Dysentery in the crusader kingdom of Jerusalem: an ELISA analysis of two medieval latrines in the City of Acre (Israel). Journal of Archaeological Science, 35: 1849-1853.
Dixon, B. (2008) Crusaders' dysentery. The Lancet Infectious Diseases, 8: 530-530.



sábado, 20 de setembro de 2008

Paleopatólogo ou Paleopatologista?

Parto da trémula premissa que detenho conhecimentos mínimos sobre paleopatologia e ancoro-me num facto: o privilégio de ser remunerado para investigar nesta área. E confesso que me incomoda não saber se me intitulo paleopatologista ou paleopatólogo! Talvez paleopatólogo, imaginando que poderia decidir baseado na sonoridade. Mas a fonética é um pormenor e a verdade é que nenhum dos vocábulos consta nos dicionários da língua portuguesa. Nem tão-pouco linguistas ou filólogos (ou filologistas?) se debruçaram sobre esta matéria. E pela consulta do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa apercebo-me da dubiedade existente em casos análogos – apesar do elemento “–logo” ser apontando como preferível pelos adeptos do vernáculo.

Esta dúvida foi razão para ter banido os termos da minha tese de mestrado – opção pouco meritória, reconheço-o! Nunca li a palavra paleopatólogo num texto académico português – terreno onde o vocábulo paleopatologista impera. E, de facto, se abolirmos o prefixo paleo, os dicionários portugueses definem ‘patologista’ mas não mencionam ‘patólogo’.

Tentando descortinar a realidade desta dicotomia no universo das restantes línguas latinas procurei e contabilizei os resultados duma breve pesquisa efectuada no Google, utilizando os seguintes termos: paléopathologue e paléopathologiste (Francês); paleopatologo e paleopatologista (Italiano); paleopatólogo e paleopatologista (Espanhol); paleopatólogo e paleopatologista (Português). [os romenos que me perdoem mas não me entendi com o Google em romeno!] Os resultados, abaixo ilustrados, foram uma surpresa! Contrariamente às minhas expectativas, não existe um termo preferencial quando o universo das quatro línguas românicas é considerado como um todo. O vocábulo paleopatólogo, que tem supremacia exclusiva na língua italiana e predomina na espanhola, não é usado, de todo, na portuguesa. A língua de Camões limita-se ao uso de paleopatologista, palavra igualmente dominante na língua francesa. Porquê estas diferenças? As semelhanças/diferenças dificilmente radicarão em factores puramente geográficos. Focando-me no caso luso-brasileiro, existirão, certamente, factores relacionados com a permeabilidade de Portugal e do Brasil à literatura paleopatológica anglo-saxónica (“escola de pensamento” hegemónica desde os anos 60/70 do século XX). Isto poderá ter sido determinante na adopção do termo paleopathologist e na sua tradução literal para português: paleopatologista. Refira-se que no Google encontramos 8.250 entradas para o termo paleopathologist e 1.200 para palaepathologist.
E volto à estaca zero mas com a pergunta recauchutada: anglofilia ou vernáculo? Agrada-me a sonoridade de vernáculo…


E eu com tantos planos prà reforma!

«“When I retire”, a surgeon told a historian, “I plan to be a medical historian”. The historian replied that when he retired he planned to practise neuropathology. When this exchange is retold, academic historians generally find it amusing, confirming their preconceptions about physicians. Physicians, by contrast, often react to the historian’s reply with quizzical incredulity; they don’t get the joke.»


in Kushner, H.I. (2008) Medical historians and the history of medicine. The Lancet, 372(9640): 710-711.